Workation smart: o trabalho "em casa" nos vários centros de Itália
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Lockdown, pandemia, Coronavírus, quarentena: são muitas as palavras que se tornaram comuns nos últimos dois anos. Palavras que trazem consigo hábitos e costumes, da máscara ao trabalho remoto. Sim, porque o que no início era uma obrigação hoje tornou-se quase uma necessidade para se sentir mais seguro, por um lado, e ter um melhor equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal, por outro.
O trabalho fora do escritório, em smart working, remote working, south working , tornou-se para a maioria o único concebível e, portanto, é necessário organizar-se.
E se em casa se encontrou uma maneira de usar os cantos como escritório, algumas aldeias de Itália aproveitaram a oportunidade e transformaram-na numa oportunidade de crescimento, atraindo muitos trabalhadores, oferecendo-lhes tudo o que precisam para realizar a sua atividade remotamente e, ao mesmo tempo, repovoar centros agora quase completamente abandonados. Vamos descobrir algumas dessas aldeias juntos.
Santa Fiora: a primeira Smart Working Village de Itália
No Monte Amiata, na província de Grosseto, encontra-se o município de Santa Fiora, o primeiro em Itália a lançar um concurso para a criação de uma verdadeira Smart Working Village.
Na prática, se decidir viver esta experiência única, que lhe permite fugir ao caos das grandes cidades e criar um posto de trabalho dentro de casa na pequena aldeia de montanha, terá uma redução no custo do aluguer até 50%.
A iniciativa, lançada na sequência da recente chegada da banda ultralarga à aldeia, prevê a emissão de vouchers para quem optar por permanecer na área durante pelo menos dois meses, e destina-se a funcionários públicos e privados, bem como a trabalhadores independentes.
O objetivo é, naturalmente, transformar a estadia em algo muito mais duradouro. Aconselhamos a pensar nisso, porque a encantadora aldeia situada no penhasco, certificada como de excelência pela Bandeira Laranja, dará a oportunidade de beneficiar de um novo estilo de vida, em nome do relaxamento e da natureza.
Montepulciano Smartway: a plataforma para o smart working
Ainda na Toscana, na vila medieval de Montepulciano, pode encontrar a Smartway, uma startup que salvou as instalações de alojamento turístico em plena crise pandémica, transformando-as em workations para trabalhadores digitais. Estadias pensadas ad hoc para os trabalhadores inteligentes que pretendem viver e trabalhar por um determinado período de tempo em apartamentos, B&B e agroturismos, com estações funcionais e confortáveis, mas acima de tudo com uma ligação à Internet super rápida, graças à cobertura de fibra.
No portal, pode percorrer a lista de instalações e contactá-las diretamente, selecionando também uma série de serviços úteis para trabalhadores em viagem, desde o aluguer de automóveis a restaurantes e experiências locais a não perder. Se acrescentar a isto a vista deslumbrante do Vale de Orcia e do Vale de Chiana, entenderá como o trabalho remoto se torna uma experiência mais do que agradável.
Venywhere: o projeto de trabalho remoto para repovoar Veneza
Vendo-a sempre cheia de turistas, é difícil imaginar Veneza como uma cidade a repovoar. No entanto, muitos habitantes abandonaram a lagoa. Aqui está, portanto, Venywhere, o projeto apoiado pela Fundação de Veneza e pela Universidade Ca' Foscari, que visa intercetar o vasto público de "trabalhadores de qualquer lugar", graças às novas formas de trabalho digital.
A ideia é criar uma comunidade híbrida, que atraia pessoas de todas as partes de Itália (e não só), ansiosas por se estabelecer numa cidade única no mundo, trabalhando remotamente, oferecendo oportunidades de integração à comunidade local e retendo os residentes, especialmente os estudantes universitários que são cada vez mais forçados a fugir. Tudo em espaços de coworking pouco utilizados, desde fundações a museus, de oficinas de artesanato a galerias de arte e, porque não, também em espaços ao ar livre.
Castropignano: a terra das casas a 1 euro para os trabalhadores inteligentes
Em Molise, o número de casas desabitadas é desproporcional. Mas no município de Castropignano, os trabalhadores inteligentes têm a oportunidade de comprar uma casa por apenas 1 euro.
É assim que se pretende repovoar o centro histórico da pequena aldeia, com um valor simbólico para os trabalhadores remotos, que têm a oportunidade de continuar a trabalhar a partir da colina com vista para o Vale de Biferno, repovoando a aldeia na província de Campobasso e percorrendo, a pé ou a cavalo, alguns dos caminhos mais pitorescos e mais bem preservados de toda a região.
South working: trabalhar remotamente a partir do sul
Um último tipo de emprego é o south working, ou seja, o trabalho oferecido por empresas fisicamente localizadas no norte de Itália, mas realizado remotamente por funcionários que vivem na parte sul do país.
Nascido na sequência da situação de emergência da pandemia, este novo método levou a uma reformulação das dinâmicas tradicionais de emprego, integrando métodos de trabalho ágeis, que satisfazem tanto as necessidades das empresas como os elevados padrões de bem-estar dos trabalhadores. Tudo se transformou numa oportunidade para fortalecer e relançar territórios quase esquecidos, que se repovoam com capital humano.
Também surgiram espaços privados de smartworking, como a Casa Netural em Matera, a Beehive-Valore Sud em Trapani, a Moltivolti em Palermo, a Isola em Catânia, ou espaços públicos, como a South Working Petralia Sottana ou a South Working Castelbuono, ambos nas Madonie.
Os exemplos citados não devem ser entendidos como simples áreas de trabalho partilhado, mas como verdadeiros locais de colaboração, inovação e encontro geracional.