Molise, a região dos caminhos reservados à transumância e paisagens magníficas
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Uma pequena região, uma terra generosa que se destaca pela sua natureza intacta, longa história, rico património artístico, tradições antigas e gastronomia saborosa: este é Molise, um destino ainda pouco conhecido, e por esta razão ainda mais interessante.
Descubra as suas estâncias de esqui, colinas, litoral com praias de areia, rotas históricas de transumância e numerosas reservas naturais que protegem as espécies vegetais e animais típicas da região.
Origens e notas históricas sobre Molise
O território de Molise partilhou a sua história com o Abruzo até à queda do Império Romano, como é evidenciado pelas descobertas na localidade de Pineta do Homo Aeserniensis, que se deslocava entre as duas regiões sazonalmente.
Todos os principais centros de Molise tornaram-se colónias romanas com as conquistas que ocorreram durante a guerra social e os conflitos samnitas e anibálicos (lembre-se, por exemplo, Morrone del Samnio, Isérnia, Larino, Venafro e Pietrabbondante), com a formação e nascimento de novas urbanizações promovidas pelo cristianismo, como a Diocese de Trivento, até ao advento dos normandos.
Seguiram-se as invasões dos godos e dos lombardos e, após a conversão destes últimos ao catolicismo, a igreja adquiriu muito poder sobre o Molise.
Uma data fundamental na história de Molise é 1221, o ano em que o imperador Frederico II transformou Molise num distrito de justiça imperial em que vários mosteiros nasceram, como o esplêndido local da Madonna delle Grotte em Rocchetta a Volturno.
As principais cidades do Molise
Uma antiga vila com muros fortificados, dominada pelo imponente Castelo Svevo (u Castelo da Suábia) e premiada várias vezes com a Bandeira Azul da Europa graças à maravilhosa limpidez do seu mar: é Termoli, um dos principais destinos do Molise, onde se pode encontrar instalações desportivas, serviços hoteleiros de vanguarda e praias bem equipadas.
Campobasso é, por outro lado, a capital da região, colocada em posição favorável pelos panoramas únicos no seu género. Entre os seus símbolos estão o Castelo de Monforte, um monumento nacional e o ponto mais alto da cidade, que domina a colina em que se ergue, a Igreja de San Giorgio, construída no século XII em pleno estilo gótico, e a Igreja de Sant'Antonio Abate, com a sua bela fachada do final do Renascimento e o sumptuoso interior barroco.
Na província podem admirar-se muitos achados arqueológicos, como o Villaggio de Campomarino, que remonta aos tempos pré-históricos, e numerosas necrópoles.
Isérnia, por outro lado, foi a capital dos povos de origem samnita, tem uma história antiga de que hoje é contada pelos seus becos estreitos e característicos.
A Fontana Fraterna é um dos seus monumentos mais conhecidos: tem 6 jatos de água e uma curiosa forma de varanda feita com blocos de calcário provavelmente provenientes de antigos monumentos romanos.
Finalmente, Ferrazzano, uma aldeia conhecida pelas casas que parecem abraçar-se: são todas próximas para se protegerem do frio. Construída numa posição estratégica sobre as antigas vias de comunicação do Molise, é caracterizada por vistas maravilhosas.
O que ver em Molise: 4 paragens essenciais
Entre as etapas obrigatórias durante umas férias em Molise, há aquela no Campitello Matese, uma estância de esqui com 40 quilómetros de pistas, rica em lagos, florestas, grutas e cavernas, prados e caminhos inéditos ideais para passeios a pé, excursões a cavalo, em mountain bike ou quad e descidas de parapente.
Um salto na província de Isérnia permite desfrutar da Abadia de San Vincenzo al Volturno, um antigo edifício monástico em que o tempo parece ter parado, combinando a história, a espiritualidade e a natureza não contaminada que o rodeia.
Uma vez na zona, é impossível perder uma visita ao Lago de Castel San Vincenzo, bem conservado no Parque Nacional de Abruzo, Lácio e Molise. É um espelho de água de um turquesa brilhante rodeado por bosques e em que os picos dos Mainarde se refletem. Não parece artificial, mas é: foi construído no final da década de 1950 para fins hidroelétricos.
Uma das mais belas aldeias do Molise, Fornelli, também vale uma paragem. Conhecida como a Terra das Torres dos tempos normandos e angevinos, mas também como a Cidade do Azeite, graças à excelente qualidade do azeite produzido no seu campo, possui um centro histórico e uma estrutura urbana que permaneceram inalterados ao longo dos séculos.
Os lugares inusitados do Molise: 3 destinos para os curiosos
Interessado em destinos fora dos itinerários turísticos?
Vá em busca dos tratturi, caminhos antigos de erva batida através dos quais os pastores, desde os tempos pré-romanos até há alguns séculos, moviam os seus rebanhos sazonalmente. É o fenómeno bem conhecido da transumância que marcou o sul camponês seguindo caminhos rigorosos e garantindo um sustento económico, mesmo nas zonas mais isoladas.
Ou procure o Santuário de Castelpetroso na província de Isérnia. Com a aparência de um castelo medieval, ergue-se no meio da floresta e tem uma história de aparições de Nossa Senhora. A primeira remonta a 1888: a Virgem apareceu com Jesus exangue nos braços como oferenda à humanidade.
Finalmente, também vale a pena visitar Sant'Angelo Limosano, uma aldeia localizada numa colina a 900 metros que domina o vale do Biferno e permite desfrutar de uma vista que chega até às ilhas Tremiti, quando o tempo permite.
Produtos típicos de Molise: 5 especialidades
A cozinha de Molise é rica em sabores a partir de ingredientes pobres, mas usados com sabedoria.
O símbolo da zona são os fusilli alla molisana, o formato de massa aqui inventado e temperado com um molho de borrego e salsicha de porco ou carne de vitela.
Mais característico que a pancetta é o guanciale local: a bochecha do porco é temperada com sal, pimenta, alho e pimentão, depois pendurada e deixada por um mês num local fechado com uma lareira que queima madeira de carvalho, e depois mais dois meses ao ar livre.
É também deliciosa a muscisca, uma carne seca e curada para comer em tiras. Não há fumeiro sem queijo: o caciocavallo di Agnone é de origem antiga, é produzido com leite de vaca e depois salgado e curado em locais ventilados e a uma temperatura constante por pelo menos três meses. Regar tudo com um bom Biferno é o mínimo: um dos mais prestigiados vinhos de Molise, que pode ser branco, tinto e rosé.
Eventos em Molise: uma oportunidade a não perder
Entre os eventos tradicionais de Molise, deve ver a Carrese di San Martino in Pensilis, a tradicional corrida de carroças puxadas por bois ligada às celebrações em honra de São Leão, um monge beneditino que viveu no Mosteiro de São Feliz, perto de Cliternia.