A piadina, a rainha da Romanha
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O símbolo indiscutível deste trecho da costa do Adriático é a piadina, uma obra-prima de gosto e simplicidade.
A especialidade gastronómica local, que aqui chamam piada e que é comida a qualquer hora, não deve definitivamente faltar na lista de qualquer visitante que passe por esta zona.
A piadina: uma especialidade popular
Hoje em dia pode prová-la em quase todo o lado, mas é nas províncias de Rimini, Forlì-Cesena e Ravena que nasceu e se tornou famosa.
A preparação simples, à base de farinha, sal, água e banha de porco ou azeite, não trai as origens pobres deste prato.
Uma evolução das papas etruscas e romanas, era originalmente consumida como um substituto do pão principalmente pelos agricultores, que não podiam pagar ingredientes particularmente elaborados.
De Virgílio a Pascoli, a piada na literatura
A primeira prova da sua existência encontra-se no 7.º Canto da Eneida de Virgílio, quando o poeta fala de "exiguam orbem", ou seja, um disco fino que, uma vez cozido, é dividido em várias partes.
Além disso, Giovanni Pascoli costumava referir-se à piada como "o prato nacional do povo da Romanha". Inclusive, é claro, como um verdadeiro romanholo, ele também dedicou um poema intitulado La Piada ao famoso prato. "O pão dos pobres", como lhe chama o poeta, mas também "de passagem", porque era o que os agricultores comiam quando estavam no campo.
É muito mais difícil, contudo, traçar a etimologia do nome: segundo alguns, "piadina" deriva do grego "platokis", que significa "fogaça", enquanto para outros se refere ao romanholo "piàdena", como as tábuas de madeira em que são colocados os produtos cozidos.
Se for um verdadeiro apreciador, deve procurar os quiosques
Apesar das suas origens antigas, foi apenas nos anos 70 que a piadina começou a ser confecionada artesanalmente, graças também ao nascimento dos primeiros quiosques. Tanto na costa da Romanha como no interior, é impossível não os reconhecer: os mais característicos parecem pequenas casas pintadas com listas verticais, na sua maioria brancas e vermelhas ou brancas e verdes, na versão das barracas de praia.
Cervia foi a pioneira
Os primeiros nasceram em Cervia: até então, a piada só era comida em restaurantes ou em casa, cozinhada pelas "azdore", ou donas de casa. Atualmente, os quiosques são verdadeiras instituições, com negócios transmitidos de pais para filhos.
Devido ao crescente interesse em salvaguardar territórios e as suas especialidades gastronómicas, a piadina tornou-se um produto de Indicação Geográfica Protegida (IGP) da União Europeia em 2014.
As mil e uma piadas
Muitas coisas mudaram desde as suas origens, mas a piada hoje tem a mesma massa de sempre. Os métodos de cozedura também seguem a tradição: é cozinhada numa frigideira, numa panela ou num tacho de barro.
A única coisa que realmente divide os romagnoli é a espessura do seu prato mais típico. Em Rimini e Riccione, a piada não deve ser superior a 2-3 milímetros, enquanto em Forlì e Ravena varia de quatro a oito.
Quem terá razão? Basta experimentá-las a todas, talvez num dos muitos festivais e festas de piadinas que animam a costa no verão.
Seja qual for a sua espessura, a piadina pode ser comida tanto quente como fria, numa das suas inúmeras variantes de recheio.
O queijo cru e o squacquerone são o clássico quando se trata de piadina da Romanha, mas pode apreciá-la com ervas cozidas, como agrião, chicória, dente-de-leão e acelga, ou cruas, como alface, rúcula e tomate fresco.
O recheio também pode ser gratinado no caso de cebolas, curgetes e pimentos. E quando se trata de emparelhar com carnes e queijos curados, tem muito por onde escolher.
Inevitável, é claro, é um copo de bom vinho. O Sangiovese, o principal vinho tinto do território, é o acompanhamento perfeito para qualquer piada.