Com vista para o mar, no coração da cidade, é um dos lugares mais evocativos de Siracusa e rico em beleza e mistério: a fonte milenar de água doce – uma das muitas das quais Ortígia era rica – que possui o nome de uma figura protagonista de mitos antigos e que, com a sua origem lendária, fascinou poetas, escritores e viajantes de todas as épocas. Originalmente, a água, agora salobra devido à infiltração marítima, jorrava pura das rochas. A bacia semicircular, luxuriantemente verde com papiros exuberantes e animada pelas inúmeras papoulas (pàpiri, em siciliano), remonta a 1843. Nas proximidades, encontra-se uma estátua do artista Biagio Poidomani intitulada "Alfeu e Aretusa". Perto da nascente, foram recuperados três curtumes antigos, onde a água era canalizada para o tratamento de couros, a partir do século XVIII. Esta é a melhor posição da cidade para admirar o magnífico e maravilhoso espetáculo do pôr do sol deste lado da Sicília, tingindo as casas e palácios no mar com cores quentes. O poeta romano Ovídio dedicou uma obra à história do mito grego de Alfeu, filho do deus Oceano e de Tétis, que se apaixonou por Aretusa, uma ninfa favorita da deusa Ártemis (Diana). Para escapar dele, Aretusa alcançou Ortígia e transformou-se numa fonte, mas Alfeu, por sua vez, transformou-se num rio e alcançou-o atravessando o mar. De acordo com outra versão do mito, um dia, enquanto Aretusa tomava banho no rio Alfeu, no Peloponeso, o deus do rio apaixonou-se por ela e, depois de assumir a forma humana, foi atrás dela. Invocada por Aretusa, Ártemis transformou-a numa nascente. Assim, Alfeu retomou a aparência de um rio e abriu o terreno, fazendo-a afundar, para ressurgir em Siracusa, onde, no entanto, o perseverante Alfeu também chegou, misturando as suas águas com as de Aretusa. O mito destaca as ligações entre Siracusa e a Grécia ou, se quisermos, entre os colonizadores gregos e a sua terra natal.