De bicicleta pelas colinas das Marcas
3 minutos
Entre a natureza e a gula
Entre os Apeninos e a costa, há uma extensão de colinas arborizadas, pontuadas por castelos e aldeias fortificadas. Uma delas é Apecchio: a partir daqui começa o percurso que imediatamente depois aponta para a Costa Adriática. É um passeio suave e sem demasiadas pretensões, ao longo de estradas que também podem ser percorridas com uma bicicleta de turismo ou uma bicicleta de montanha, e depois de cerca de dez quilómetros leva a Acqualagna, na Reserva Natural Estatal de Gola del Furlo. Opção número um: descer do selim e caminhar ao longo das gargantas do desfiladeiro. Número dois: aproveitar o título de Capital Mundial da Trufa, o produto DOC desta terra, com um museu dedicado, eventos e menus que são uma ode a este tubérculo. Depois de voltar à bicicleta, continue ao longo da Flaminia, a antiga estrada consular que ligava Roma ao norte de Itália, que aqui fica exposta: alguns quilómetros antes de Fossombrone, dentro da área arqueológica do antigo Forum Sempronii, pode admirar um troço do pavimento original da estrada, com os sulcos deixados pelos carros.
Urbino, berço da arte
A parte central do percurso, ligeiramente mais ondulada, é uma sucessão de colinas (a mais alta é Mombaroccio, a 305 metros de altitude) que aponta para Urbino, a corte renascentista dos duques de Montefeltro. A paragem na cidade amuralhada, Património Mundial da UNESCO desde 1998, é obrigatória. Não perca o Palácio Ducal, uma cidadela fortificada dentro da cidade, com os seus 365 quartos (um para cada dia do ano). Além disso, é a sede da Galeria Nacional das Marcas, que alberga obras de Piero della Francesca e Rafael, originário de Urbino, cuja casa-oficina perfeitamente preservada e aberta ao público fica a poucos passos de distância. E entre a coleção permanente há outra joia: La Città Ideale (A Cidade Ideal), a pintura simbólica do Renascimento italiano, cujo autor é desconhecido. Se tudo isso desencadear uma veia criativa, arme-se com uma câmara (ok, o smartphone também é bom) e coloque-se ao pôr do sol na Fortaleza Albornoz, um ponto estratégico para a fotografia perfeita: a partir daqui, a vista sobre os telhados é inestimável.
A subida de Carpegna, com o pirata no coração
Da história da arte passamos à história da bicicleta. O último troço da sexta etapa da Tirreno-Adriatico, na verdade, é uma homenagem declarada a Marco Pantani, o campeão das duas rodas que morreu tragicamente em 2004. O circuito final, a repetir duas vezes, inclui uma dupla passagem ao longo do Cippo di Carpegna, uma subida de 6 km com picos de 14% de inclinação. Foi uma das rampas mais amadas pelo Pirata, como era apelidado o campeão, que treinava incansavelmente neste asfalto. Para os entusiastas das duas rodas, pedalar no seu rasto, mesmo que apenas imaginário, é uma experiência mística. Mas atenção à descida com alto coeficiente técnico: mãos nos travões e muita concentração.
Editado pela equipa editorial da RCS Sport.