A pequena capela de São Severo fazia parte da igreja vizinha, pertencente ao convento dos Camaldulenses: o complexo conventual presidia o bairro de Porta Sole, no topo de Perugia, testemunhando assim o prestígio da congregação camaldulense. No século XVIII, a igreja foi reconstruída, eliminando os elementos dos séculos XV e XVI, com a única grande exceção desta capela, que manteve a sua aparência original e, acima de tudo, o grande fresco da Santíssima Trindade e santos, realizado por Rafael e Perugino. No entanto, a capela tornou-se um corpo separado e foi dotada de uma entrada separada, de modo a permitir o acesso aos fiéis e visitantes sem perturbar as funções religiosas. O valor inestimável desse fresco já era claro para todos.
A parte superior da pintura, feita em 1505, que representa a Santíssima Trindade entre anjos e querubins, é obra de Rafael, a parte inferior, dominada por santos, todos camaldulenses ou beneditinos, é de Perugino. Perugino foi chamado para integrar a obra somente após a morte de Rafael, que ocorreu em 1520: evidentemente, até então os clientes esperavam que o grande artista, que agora se mudou para Roma, pudesse mais cedo ou mais tarde retornar a Perúgia para completar pessoalmente o fresco. Após a sua morte, decidiram recorrer ao então idoso Perugino, um pintor que era considerado o mestre de Rafael e que o influenciou profundamente nos seus anos de juventude. No centro do fresco, num nicho, encontra-se uma Nossa Senhora com o Menino em terracota policromada atribuída a Leonardo Del Tasso.