A igreja de S. Michele in Foro viveu uma longa história de construção, à qual se deve o conjunto original de soluções românicas e góticas. Erguida entre 1070 e meados do século XII, entre os séculos XIII e XIV foi dotada da característica fachada com 4 ordens de pequenas arcadas, em antecipação de uma elevação que nunca foi realizada. Na cúspide destaca-se a estátua de mármore com detalhes em bronze de São Miguel Arcanjo a derrubar o dragão, claramente visível do sótão da casa Puccini. Uma lenda de Lucca diz que um diamante de enormes dimensões está engastado no anel colocado no dedo do anjo e que à noite o seu brilho pode ser visto se alguém se posicionar num ponto específico da praça. O campanário do século XII revela influências lombardas, cujas paredes são aligeiradas por ordens crescentes de aberturas e arcadas suspensas. O interior em planta basilical tem 3 naves marcadas por colunas encimadas por capitéis românicos, conserva mobiliário dos séculos XV e XVI, uma Nossa Senhora com o Menino de Andrea della Robbia e um painel com os Santos Jerónimo, Sebastião, Rocco e Helena (c. 1483) de Filippino Lippi. Na igreja de São Miguel, o compositor Giacomo Puccini deu aulas de órgão ao seu único aluno, Carlo Della Nina (1855-1918), que era alfaiate de profissão, mas serviu como organista na igreja de São Justo em Porcari. Por ocasião da festa de São Miguel (21 de setembro), são tocadas peças dos compositores da família Puccini no órgão do altar-mor.
A igreja domina a grande praça de São Miguel, apelidada de "praça das Correntes" devido às correntes de ferro que a delimitam. Originalmente, era o fórum romano e ainda hoje é o coração pulsante da vida da cidade. No lado oriental e atrás da abside da igreja, a praça é delimitada por casas dos séculos XIII e XIV com janelas polifóricas góticas.