À descoberta do símbolo da Sardenha: o pão carasau
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A história do pão carasau funde-se com o seu local de origem: a Barbagia, a área mais interior e selvagem da província de Nuoro. É aqui que encontramos Sunalle, o antigo Forno di Fonni, que há mais de 30 anos produz este produto típico da Sardenha, inundando as ruas com o seu aroma.
Conhecemos as origens, as lendas, a receita tradicional do pão carasau e a sua ligação com a aldeia mais alta da Sardenha.
Bom e musical, tal como o seu nome
Não pode dizer que conhece realmente a Sardenha sem ter provado um dos seus alimentos simbólicos: o pão carasau. Também é conhecido como papel de música, devido ao ruído particular que faz quando se parte e mastiga. Entre os tipos de pão mais antigos do mundo, preserva e conta a história da selvagem Barbagia, a área onde se originou, mas também das pessoas que a habitam, austeras e, ao mesmo tempo, hospitaleiras.
Como acontece com qualquer produto antigo, a origem do pão carasau está envolta em lendas. Parece que até deve ser rastreada até ao mundo árabe.
O que é certo é que é um pão pobre, criado para necessidades logísticas: tinha de ser transportado pelos pastores e durar o máximo de tempo possível para a transumância.
Isto explica a sua dupla cozedura, como uma bolacha, para o tornar seco e perfeitamente conservável. Daí também deriva a sua crocância: o carasau é fino e plano, na verdade, muito plano, largo e extremamente friável.
A receita é muito antiga, praticamente a mesma desde as suas origens
O pão carasau, leve e nutritivo, é perfeito como alimento para consumir durante os longos períodos longe de casa, devido à autenticidade dos ingredientes e ao elevado teor energético.
No passado, de facto, todas as famílias sardas preparavam-no em grandes quantidades e depois guardavam-no em arcas.
O processo é, ainda hoje, o mesmo de outrora: originalmente cozido durante alguns segundos em forno de lenha, é um pão à base de água, sal, fermento e sêmola de trigo duro moída, ou mais frequentemente de farinha de cevada ou mista integral, rica em farelo.
A receita atual do pão carasau permanece praticamente inalterada, embora a tendência seja preparar a massa à máquina e cozê-la em fornos elétricos ou a gás. As fases de realização são 4: primeiro faz-se levedar a massa à base de massa de reporte, depois coze-se no forno, onde tende a inchar como um balão, em seguida, divide-se em duas metades, ainda quente, e, por fim, volta-se a colocar no forno para a fase de torrefação, em sardo "carasadura", de onde o produto acabado recebe o nome.
O resultado é uma massa crocante, que mantém a sua frescura durante muito tempo.
Em Fonni, o pão carasau é caseiro
Para provar uma das melhores versões do pão carasau, não pode deixar de visitar Fonni, a aldeia mais alta da Sardenha. Rodeado por florestas centenárias e vestígios pré-históricos, o município de Nuoro ergue-se nas encostas setentrionais do Gennargentu, no centro da ilha.
É um lugar cheio de encanto, rodeado por um panorama deslumbrante, onde os picos das montanhas dominam majestosamente os vales da Barbagia.
Fonni é a localidade ideal não só para excursões naturais e arqueológicas, mas também para experimentar as autênticas tradições artesanais e gastronómicas, porque alberga uma das principais padarias na produção de pão carasau: o forno "Sunalle".