Um monumento impressionante à arte da guerra, as muralhas de Lucca foram erguidas a partir do início do século XVI e concluídas em meados do século seguinte, com o objetivo de defender a cidade da ameaça do seu vizinho agressivo, o Grão-Ducado da Toscana. Equipadas com 12 cortinas e 11 baluartes, para um perímetro total de mais de 4 km, nunca estiveram realmente envolvidas em eventos bélicos e ainda permanecem intactas para encerrar todo o centro histórico medieval. O perfil atual das muralhas remonta ao início do século XIX e deve-se à iniciativa de duas mulheres politicamente opostas: Elisa Bonaparte, irmã de Napoleão, nomeada princesa de Lucca e Piombino pelo seu irmão imperador, e a sua "herdeira", Maria Luísa de Bourbon, colocada à frente do ducado de Lucca após a Restauração. Foi, em particular, graças à intervenção desta última que a muralha foi convertida num passeio e parque público com 96 hectares e uma vista privilegiada da cidade. A duquesa também tem o mérito de ter criado o Jardim Botânico: localizado perto do baluarte de S. Regolo, estende-se por dois hectares, integrando a sua paisagem natural com o poderoso sistema de fortificações. No seu interior, alberga um importante património de biodiversidade, dividido entre o setor sul, coberto por árvores centenárias monumentais e exemplares de flora nativa, e o setor norte, que alberga estufas e instituições científicas.