Descobrir a Via Francigena na Apúlia: uma viagem através da história, da fé e de paisagens de tirar o fôlego
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Por ocasião do Jubileu, a Italia.it fez uma viagem com a redação da Associação Europeia das Vias Francígenas (AEVF) para levar a descobrir o percurso histórico que levou os peregrinos de Cantuária à Terra Santa.
Região após região, etapa após etapa, exploraremos lentamente o caminho traçado pelo Arcebispo Sigerico, que, no ano de 990 d.C., documentou as 79 etapas da sua viagem de regresso de Roma a Cantuária, criando um percurso que se tornou um símbolo da espiritualidade e da cultura europeias. A Via Francigena, que em 2024 celebrou o 30.º aniversário da sua certificação como Itinerário Cultural Europeu do Conselho da Europa, desde 2019 alarga a sua certificação europeia aos Portos da Apúlia, Brindisi e Santa Maria di Leuca. É precisamente a partir da Apúlia que começaremos esta viagem juntos.
A Via Francigena na Apúlia
Na Apúlia, a Via Francigena representa o troço final de um longo e fascinante percurso que os peregrinos faziam em direção à Terra Santa. Este caminho, que conjuga espiritualidade e cultura, atravessa paisagens encantadoras e aldeias históricas, permitindo aos viajantes mergulhar na tradição milenar da região. O percurso serpenteia por entre olivais centenários e paisagens de tirar o fôlego, passando por cidades emblemáticas como Tróia, com a sua esplêndida catedral românica, Lucera, que preserva vestígios da antiga dominação suábia, e Bari, um ponto de partida fundamental para a navegação rumo ao Oriente.
O caminho culmina em Santa Maria di Leuca, um dos destinos mais pitorescos da Apúlia, onde o Mar Adriático e o Mar Jónico se encontram, criando uma paisagem única. Aqui, a majestosa Basílica de Santa Maria di Leuca acolhe os peregrinos, que chegam a este lugar repleto de espiritualidade e beleza. Leuca sempre foi considerada um ponto de referência para aqueles que fazem a viagem à Terra Santa.
Ao longo desta rota, os peregrinos podem redescobrir os vestígios de diferentes épocas históricas: desde as ruas romanas e medievais até às influências bizantinas que ainda hoje caracterizam muitos dos edifícios religiosos e estruturas arquitetónicas da região. Hoje, a Via Francigena na Apúlia não é apenas um caminho de fé, mas também uma viagem que celebra e valoriza o rico património cultural, artístico e gastronómico da região. Além de percorrerem antigas estradas históricas, os peregrinos podem desfrutar da hospitalidade calorosa e acolhedora do povo da Apúlia, saborear pratos típicos com séculos de tradição culinária e viver uma experiência única que conjuga espiritualidade, história, arte e natureza.
A arte ao longo do caminho
A Apúlia é uma terra que narra a sua história através da arte e da arquitetura. O românico apuliano é um elemento distintivo que atrai o interesse dos viajantes ao longo do caminho. Entre os seus símbolos destaca-se a Catedral de Trani, com a sua majestosa fachada e a posição panorâmica com vista para o mar. Outros destinos importantes incluem a Catedral de Andria, com a sua estrutura em cruz latina, e a Basílica de São Nicolau em Bari, um emblema de sobriedade e grandeza medieval. Continuando para sul, o barroco de Lecce oferece uma experiência visual verdadeiramente excecional. Lecce, conhecida como a "Florença do Sul", encanta com o seu centro histórico rico em detalhes artísticos. A Catedral de Lecce, com o seu portal ricamente decorado e o uso de carparo, uma pedra local que ilumina a arquitetura, representa o triunfo desta corrente. Passear pelas igrejas, palácios nobres e praças animadas de Lecce é mergulhar numa atmosfera única que celebra a arte e a cultura barrocas.
Sugestões para uma caminhada na Apúlia ao longo da Via Francigena
As etapas mais fascinantes da Via Francigena na Apúlia levam os peregrinos a locais ricos em história, cultura e beleza natural.
Aqui está um exemplo de itinerário para visitar a Apúlia a pé, retirado do itinerário oficial do percurso italiano:
Tróia – Monte Sant’Angelo 110 km
O percurso, que começa em Tróia, estende-se por cerca de 110 km, passando pelas localidades de Tróia, Lucera, San Severo, San Marco in Lamis e San Giovanni Rotondo, até chegar a Monte Sant’Angelo. Esta última, Património Mundial da UNESCO, é uma paragem obrigatória para os peregrinos, por ser um local dedicado ao culto de São Miguel Arcanjo.
1. Tróia – Lucera: partindo de Tróia, famosa pela sua magnífica Catedral de Santa Maria da Assunção, uma obra-prima do românico da Apúlia com a sua esplêndida rosácea, percorrem-se 22 km até Lucera, conhecida pela imponente Fortaleza Suábia-Anjou e pela esplêndida catedral gótica, testemunho do passado medieval da cidade.
2. Lucera – San Severo: partindo de Lucera, chega-se em 25 km a San Severo, uma joia barroca que mereceu o título de Cidade das Artes.
3. San Severo – Stignano: de San Severo, o percurso prossegue em direção a Stignano, ao longo de cerca de 20 km de estrada, em grande parte de terra batida. Este percurso leva do Tavoliere às portas do Gargano. Em Stignano, recomendamos uma visita ao santuário.
4. Stignano – San Giovanni Rotondo: a quinta etapa, de Stignano a San Giovanni Rotondo, tem 20 km. Caracterizada por grandes diferenças de altitude, é uma etapa exigente. No entanto, em San Giovanni Rotondo, pode visitar o Santuário de São Pio de Pietrelcina, famoso em todo o mundo.
5. San Giovanni Rotondo – Monte Sant’Angelo: a última etapa, de San Giovanni Rotondo a Monte Sant’Angelo, com 24 km, sobe até ao cume de uma crista, de onde se pode desfrutar de amplas vistas sobre o mar e a cidade de Monte Sant’Angelo. Por fim, a chegada ao santuário de Monte Sant’Angelo proporciona emoções únicas.
Estas etapas proporcionam uma viagem única entre fé, arte e paisagens de tirar o fôlego.