Castelo de Isabella Morra, Valsinni
O Parque fica entre a Basilicata e a Calábria, regiões ricas em castelos desenvolvidos ao longo do tempo para defender pequenas cidades e ligações viárias, que depois se tornaram residências nobres com uma longa história.
O itinerário começa em Basilicata com o Castelo de Isabella Morra no Município de Valsinni (anteriormente Favale), na província de Matera. Construído no ano 1000, foi habitado pela nobre família do senhor feudal Gian Michele di Morra e é agora um Monumento Nacional. A história da filha mais nova de Gian Michele, Isabella Morra, foi contada por Benedetto Croce. Esta jovem poetisa petrarquiana do século XVI foi morta pelos seus irmãos em 1546, com apenas 25 anos, por se suspeitar de ter um caso com o nobre espanhol Diego Sandoval de Castro, que era senhor do feudo vizinho de Bollita (hoje Nova Siri), também ele morto.
Construído sobre os restos de um antigo forte lombardo, o Castelo faz parte do percurso do Parque Literário "Isabella Morra", que todos os meses de agosto anima as ruas da vila com atuações teatrais, percursos poéticos e eventos enogastronómicos para recordar a jovem poetisa, um dos mais importantes expoentes da poesia do século XVI.
Castelo de Episcopia
Pela SS 653, em direção a sudoeste, chega-se à segunda etapa, Episcopia, na província de Potenza. O seu castelo domina toda a paisagem e foi construído pelos bizantinos junto a uma fortaleza da época lombarda, como é evidenciado por um antigo documento datado do ano 1000, escrito pelo Patriarca de Jerusalém, Orestes Jeremias. O edifício fazia parte de outras fortalezas que defendiam o Vale do Sinni, um antigo ponto de fronteira entre a Basilicata e a Calábria.
Após as mudanças feitas ao longo do tempo pelos diferentes habitantes, os normandos transformaram o castelo numa residência e acrescentaram uma cintura amuralhada. Nas fachadas atuais é possível ver as diferentes estratificações que se sucederam ao longo do tempo. O edifício é composto por dois torreões, um de forma cilíndrica e o outro quadrangular, com uma ponte levadiça a barrar a passagem e, à entrada, frescos que representam um brasão de armas com um réptil e um guerreiro. A passagem subterrânea secreta que levava ao rio, provavelmente usada para fugir, ainda está preservada.
Digno de nota é o portal do Palácio Frabasile (século XIX) construído em pedra por canteiros locais nos séculos XVIII e XIX. O interior do castelo não pode ser visitado, mas pode-se observar todo o exterior.
Castelo "Ruggero" de Lauria
Depois de cerca de 32 km pela SS 653 para oeste, chega-se a Lauria, cujas origens remontam ao século X com a chegada de monges basilianos do Oriente e também de lombardos, cavaleiros templários e sarracenos. A localidade conserva os antigos vestígios nos portões de ferro forjado, portais, brasões de pedra e cornijas decoradas, e divide-se em dois bairros: o de Lauria Superiore, que acolhe o "Castelo" e o de Lauria Inferiore, a "Aldeia", separados do antigo bairro de "Ravita", da palavra árabe "Rabit" ou "zona próxima", onde viviam os sarracenos.
O Castelo, chamado "Ruggero" pelo famoso almirante da Sicília e Aragão que o possuíu, depois seguido pelos Sanseverino e pelos Duques de Candia, foi construído no século XIII pelos sarracenos, tendo os normandos acrescentado as torres laterais. Uma estrutura imponente, conforme é evidenciado pelos restos da fortaleza de Armo, no bairro de Cafaro. A planta era octogonal, rodeada por muralhas, e desenvolvida em três andares com torres laterais. O acesso era apenas pelo lado leste, enquanto a entrada principal construída sobre a rocha viva ainda é visível.
Outros destinos que vale a pena visitar são o Santuário de Nossa Senhora do Armo (provavelmente uma deformação medieval de "eremitério"), a casa natal do Beato Domenico Lentini, padroeiro de Lauria, cujas relíquias estão preservadas na Igreja Matriz de São Nicolau de Bari, e o Mosteiro de Santo António dos Frades Capuchinhos. Aqui nasceu também o ator e realizador Rocco Papaleo.
Castelo de Laino Castello
Chegamos agora ao Laino Castello, na Calábria, após 26 km em direção a sul pela SS 19. A localidade está localizada no coração do Parque Nacional do Pollino, a 545 metros acima do nível do mar e provavelmente datará da segunda metade do século VII e os primeiros anos do século VI a.C.
Após um período de declínio a partir do século IV com a chegada dos monges basilianos, recuperou o seu antigo esplendor e tornou-se um dos mais importantes centros religiosos e culturais de Itália. Seguiram-se os bizantinos e depois os lombardos que construíram o Castelo (Castrum Layni) na colina de São Teodoro, a 560 m de altitude, depois capital de um dos sete gastaldos mais famosos do Sul.
Os diferentes habitantes adicionaram ao longo do tempo fortificações e secções de que hoje restam apenas os restos dos bastiões encimados por torres, de onde se pode apreciar a vista do vale abaixo, onde corre o rio Lao por um desfiladeiro cheio de bosques.
A aldeia tem um núcleo histórico, a parte antiga, e uma parte mais moderna que foi povoada após o terramoto de 1982. A antiga aldeia, Laino Castello Vecchio, apresenta ruelas, edifícios nobres, escadarias e algumas grutas naturais que foram utilizadas pelos monges bizantinos e mais tarde exploradas como habitações civis.
Castelo de Morano Calabro
A nova etapa conduz, através da SS 19, a Morano Calabro, uma das"aldeias mais bonitas de Itália", graças também à sua forma de colina cónica criada pelo conjunto das suas casas, igrejas, pequenas ruas e degraus. A aldeia situa-se a cerca de 700 m acima do nível do mar, sobre as rochas do vale superior de Coscile, entre as vertentes meridionais do Maciço de Pollino.
De origem romana, a cidade era acessível pela Via Capua Regium (Via ab Regio ad Capuam), também conhecida como Via Popilia ou Via Annia, uma das estradas mais importantes do sul de Itália, construída em 132 a.C. a mando dos magistrados romanos precisamente para unir Roma ao extremo sul do país, a "Civitas foederata Regium". A sua posição estratégica, que permitia controlar todo o vale da antiga Síbaris, atraiu vários invasores ao longo do tempo.
A aldeia ergue-se sob as ruínas do Castelo, um antigo posto de vigia romano que os normandos transformaram mais tarde numa fortaleza. Mais tarde, entre 1514 e 1545, foi restaurado a mando do senhor feudal Pietrantonio Sanseverino, segundo o modelo do Maschio Angioino de Nápoles. Era composto por três pisos, com uma planta quadrada e seis torres cilíndricas (das quais apenas resta a central e a esquerda), e estava equipado com uma ponte levadiça, um fosso e muralhas. Além disso, era suficientemente grande para acolher um exército de mil soldados.
Foi danificado em 1733, depois bombardeado pelo exército napoleónico em 1806 e caiu em ruínas devido a subsequentes pilhagens até à década de 2000, altura em que se iniciou uma extensa renovação, recuperando várias partes onde se realizam agora exposições e eventos culturais.
Castelo do Príncipe, Belvedere Marítimo
De Morano, apanhe a SS 19 para oeste até Belvedere Marittimo, mas recomendamos que faça uma pausa no caminho em Mormanno para provar os típicos "bocconotti". Após Santa Maria del Cedro e Diamante, fica a localidade de Belvedere Marittimo, onde se encontra o Castelo Aragonês, considerado um dos mais belos e melhor conservados da região. Datado da segunda metade do século XI, foi construído por ordem de Rogério, o Normando, sobre um antigo "castrum" lombardo.
Ao longo do tempo, o chamado "Castelo dos Príncipes" foi ocupado por diversas linhagens nobres, nomeadamente as famílias Angioini, Monfort, Sangineto, Sanseverino, Orsini del Balzo e Carafa.
O castelo foi fortificado em 1426, após a conspiração dos barões, por Fernando de Aragão, que fez o mesmo com os de Castrovillari e Corigliano, e construiu o de Pizzo. Além disso, foi acrescentada uma ponte levadiça e muralhas com duas torres cilíndricas com ameias. Na entrada, foi colocada uma lápide sustentada por dois querubins com o escudo aragonês.
De planta quadrada, conserva os vestígios do fosso e as ranhuras onde se enrolavam as correntes da ponte levadiça. É um Monumento Nacional e está reproduzido em "A Itália em miniatura", em Rimini, mas por ser propriedade privada, apenas o exterior pode ser visitado.