Primeiro dia – do Passo do Grande São Bernardo a Echevennoz
A primeira etapa do Vale de Aosta da Via Francigena é um desafio fascinante para quem gosta de desportos ao ar livre, caminhadas a grande altitude e paisagens alpinas. Começa no lendário Colle del Gran San Bernardo, uma histórica passagem alpina a 2473 metros já atravessada na época romana e protagonista de etapas famosas da Volta a Itália e da Volta a França. Hoje, é também um ponto de referência para caminhantes, ciclistas e entusiastas de desportos de inverno, como o esqui alpino e as raquetes de neve.
Após a visita imperdível ao museu do Hospício e ao famoso canil de São Bernardo – símbolo destas montanhas – começa o verdadeiro caminho. O troço que leva a Echevennoz tem 14,93 km de comprimento e está entre os mais desafiantes do percurso francígeno: uma descida por um caminho de mulas, marcado pelo trilho 103, que oferece vistas espetaculares e atravessa ambientes de alta altitude intocados.
O percurso também pode ser percorrido em BTT ou gravel, mas exige técnica e resistência, especialmente na parte inicial, onde se passa por um túnel anti-avalanche e se evita o túnel rodoviário graças a uma variante mais panorâmica. Para os ciclistas de estrada, o conselho é enfrentar a subida da colina aos fins de semana, quando o tráfego intenso é reduzido e a subida se transforma numa verdadeira experiência desportiva e paisagística.
Ao longo da descida, atravessará algumas das aldeias mais pitorescas do Vale de Aosta: Saint-Rhémy-en-Bosses, Saint-Léonard, Saint-Oyen e Etroubles, que oferecem fontes de água doce e pontos de restauração ideais para uma pausa regeneradora.
Quem ainda tiver energia pode continuar até Gignod ou mesmo até Aosta, mas Echevennoz continua a ser o ponto de chegada recomendado para esta primeira etapa, graças também à presença de um acolhedor albergue para pernoitar. Um percurso que combina desporto, natureza e cultura, imerso na beleza austera e autêntica dos Alpes do Vale de Aosta.
Segundo dia – de Echevennoz a Aosta
O segundo dia ao longo da Via Francigena do Vale de Aosta, de Echevennoz a Aosta (13,87 km), é uma autêntica imersão na paisagem e na história do território, perfeita para caminhantes, corredores de trilhas e entusiastas de caminhadas. Um percurso variado e estimulante, que alterna momentos de puro relaxamento com passagens técnicas em descida, oferecendo um ginásio natural para o corpo e um espetáculo contínuo para os olhos.
O troço inicial é um dos mais evocativos de todo o percurso: passa-se pelos rus, os antigos canais de irrigação escavados à mão, obras-primas da engenharia rural do Vale de Aosta. Correndo ou caminhando ao longo destes canais, entre florestas sombreadas e prados abertos, tem-se a sensação de se mover em harmonia com a natureza e com uma história agrícola milenar. A água flui lentamente, o caminho é suave e plano: condições ideais para quem pratica corrida na natureza ou simplesmente quer uma caminhada regeneradora.
Mas o percurso não é isento de desafios: alguns troços de descida tornam-se íngremes e técnicos, testando o equilíbrio, os joelhos e os tornozelos. É aqui que o percurso se torna um terreno ideal também para quem gosta de corrida em trilha ou quer testar-se em segmentos mais desafiantes, imerso num contexto natural de grande beleza.
Na segunda parte da etapa, o cenário muda: as florestas dão lugar a pomares, macieiras arrumadas e os primeiros sinais da cidade. Aosta anuncia-se com as suas cores e com o perfil discreto, mas inconfundível, dos monumentos romanos, que se revelam quando se chega ao centro.
Ao longo do caminho, os pontos de restauração em Gignod e Variney oferecem a possibilidade de recarregar as energias, enquanto as inúmeras fontes espalhadas ao longo do caminho garantem água fresca para desportistas e caminhantes. No inverno, parte do percurso também pode ser percorrida com raquetes de neve, tornando esta etapa uma experiência ao ar livre acessível durante todo o ano.
Terceiro dia – de Aosta a Chatillon
A etapa de Aosta a Châtillon, com os seus 27,67 km de dificuldade média, é uma das mais variadas e desportivas da Via Francigena no Vale de Aosta. Embora a direção "descendente" ao longo do vale possa sugerir um percurso fácil, o caminho serpenteia realmente num traçado ondulado, com subidas e descidas contínuas no lado esquerdo do Dora Baltea, projetado para evitar as estradas movimentadas do fundo do vale e mergulhar completamente na natureza.
Perfeita para caminhantes experientes, corredores de trilhas e caminhantes treinados, esta etapa alterna trechos mais suaves com outros desafiadores, com desníveis que testam a resistência e a técnica. As vistas, no entanto, compensam amplamente o esforço: vinhas bem cuidadas, aldeias silenciosas e castelos que parecem suspensos no tempo acompanham o caminho. Passa-se pelos castelos de Quart e Nus, enquanto os de Cly e Fénis dominam a paisagem de longe, como sentinelas alpinas.
Mesmo no inverno, a zona oferece possibilidades desportivas interessantes: raquetes de neve, esqui alpino e patinagem no gelo transformam a região num parque de diversões para os amantes de desportos de neve. E para os mais aventureiros, não faltam escalada no gelo, heli-ski e snowkiting nas proximidades, tornando a região um destino ao ar livre completo, em todas as estações.
Durante a etapa, as cidades de Nus e Chambave oferecem pontos de restauração convenientes para uma pausa regeneradora, enquanto as inúmeras fontes distribuídas ao longo do percurso garantem uma hidratação contínua, essencial para quem enfrenta o percurso com espírito desportivo.
Um dia de caminhada (ou corrida) que combina beleza paisagística, património cultural e desafio físico: o equilíbrio perfeito entre movimento e maravilha, no coração do Vale de Aosta.
Quarto dia – de Chatillon a Verrès
A quarta etapa destes cinco dias ao longo da Via Francigena no Vale de Aosta, de Châtillon a Verrès (27,67 km), é um concentrado de desporto, história e natureza. Ideal para caminhantes treinados, corredores de trilhas ou ciclistas em busca de emoções e vistas, o percurso põe imediatamente as pernas à prova com uma subida inicial acentuada: um esforço que vale cada passo, graças à vista que se abre cada vez mais à medida que se ganha altitude.
Uma vez ultrapassado o primeiro desnível, entra-se num troço mais suave, onde o caminho acompanha novamente um riacho. Este segmento, também perfeito para caminhadas ou corridas na natureza, acompanha o caminho até Saint-Vincent, um local também conhecido pelas atividades ao ar livre, como o parapente, que oferece vistas espetaculares do vale.
O percurso continua no lado esquerdo do Dora Baltea, em direção ao elegante castelo de Saint-Germain, situado entre vinhas e bosques. Em seguida, uma descida técnica e histórica na antiga estrada da Gália, ainda bem preservada, torna-se um trecho ideal para testar o ritmo e a atenção, com o encanto de caminhar sobre pedras carregadas de séculos.
A parte final alterna subidas e descidas panorâmicas, com vista para os Alpes e para o vale, até chegar à joia de Issogne, onde uma paragem no famoso castelo renascentista é obrigatória para quem quer combinar desporto com uma dose de cultura.
Os centros de Saint-Vincent e Montjovet oferecem pontos de restauração, enquanto as inúmeras fontes ao longo do caminho garantem um abastecimento constante de água. No inverno, as encostas em redor de Châtillon e Saint-Vincent também se prestam ao esqui alpino, para quem quer explorar a região no inverno.
Quinto dia – de Verrès a Pont-Saint-Martin
O quinto dia de caminhada ao longo da Via Francigena do Vale de Aosta termina com uma etapa intensa e rica, de Verrès a Pont-Saint-Martin, num total de 14,81 km. Um trajeto que, embora sem grandes dificuldades técnicas, oferece uma experiência profunda, perfeita para quem procura a combinação de atividades ao ar livre e património cultural.
Depois de uma partida desportiva - excelente para caminhantes e trekkers, mas também para quem pratica corrida na natureza - chega-se a Arnad, onde vale a pena parar para visitar a Igreja Paroquial de São Martinho, um dos mais importantes testemunhos religiosos da Via Francigena no Vale de Aosta. Uma pausa contemplativa, antes de voltar a percorrer caminhos, aldeias e pontes antigas.
O percurso atravessa duas belas pontes de pedra, em Echallod e Bard, que oferecem vistas pitorescas e conduzem à aldeia dominada pelo Forte de Bard: um destino ideal para uma paragem e para quem gosta de combinar caminhada e cultura. A zona é também um paraíso para os desportistas: a área oferece oportunidades para escalada, rafting e até voos de parapente para admirar o vale de um ponto de vista único.
Mas a emoção mais forte vem com a entrada em Donnas, onde se caminha sobre a história: um troço perfeitamente preservado da estrada romana da Gália, com a calçada esculpida na rocha, leva ao final sugestivo da etapa.
A chegada a Pont-Saint-Martin, com a sua imponente ponte romana, marca o fim do caminho do Vale de Aosta: um momento simbólico e cénico, que sela um itinerário feito de movimento, beleza e profunda ligação com o território.
Existem inúmeros pontos de restauração em Hône, Bard e Donnas, e muitas fontes ao longo do caminho para se refrescar. Uma etapa curta, mas intensa, que encerra esta aventura desportiva nas montanhas do Vale de Aosta em grande estilo.