O observatório astronómico no topo do Monte Toppo
A partida é de Castelgrande, uma aldeia na fronteira com a Campânia, situada num esporão rochoso no canto mais ocidental de Basilicata. Está num território caracterizado pelo banditismo, um fenómeno italiano pós-unificação de rebelião contra a Casa de Sabóia, que deixou uma marca indelével na história e na cultura locais. Pedalada após pedalada, florestas e matagais alternam com prados de alta altitude. Os centros habitados concentram-se principalmente no topo das montanhas.
Da aldeia de Castelgrande, com apenas 1000 habitantes, sobe-se até ao topo do Monte Toppo, com 1248 metros de altura. O que o atrai, no topo, é um brilho estranho: vem da cúpula do observatório astronómico. A poluição luminosa muito baixa torna a área o lugar perfeito para admirar as estrelas. Que melhor paragem para se refrescar da subida íngreme?
Lagos de Monticchio, no coração do Vulture
Partimos em direção a Rapone, uma esplêndida aldeia situada na colina que domina o encantado Vale de Vitalba. Depois de atravessar a localidade, chegará a Ruvo del Monte, dominada pelo Castelo e pela Torre Angioina. A poucos quilómetros de distância, encontram-se as cascatas de San Fele, ligadas por uma série de caminhos, que vale a pena percorrer para uma pequena excursão.
Ao chegar ao vale de Vitalba, que leva a Atella, avista-se ao longe o Castelo de Lagopesole, que remonta ao domínio de Frederico II da Suábia: a estrutura ergue-se sobre o vale a partir de uma fortaleza. Está em Vulture, uma sub-região de Basilicata, que recebe o nome do vulcão extinto. A área é conhecida pela produção de vinho Aglianico: a antiga vinha é provavelmente originária da Grécia e foi importada entre os séculos VII e VI a.C., como evidenciado pelos restos de um lagar romano na área de Rionero in Vulture. Aproveite para saborear um bom copo, acompanhado de iguarias locais. Talvez com a ciambotta, uma roda de pão cortada da parte superior, esvaziada da migalha e recheada com batatas, pimentos, beringelas e tomates fritos. Além do vinho, nesta zona são engarrafadas as excelentes águas que, graças à rocha vulcânica negra, jorram efervescentes e ricas em minerais. O último destino ideal para uma excursão é aos Lagos de Monticchio, a poucos quilómetros de Atella, nascidos dentro da cratera do Vulture.
Poggiorsini, nas margens do Lago de Serra del Corvo
Deixando o vale de Vitalba, um pequeno desvio leva a Ripacandida: aqui vale a pena visitar o Santuário de São Donato, guardião de frescos do século XV de rara beleza, que retratam cenas do Novo e do Antigo Testamento. Recupere as energias com uma colher de mel produzido na região.
Pedalando entre os vinhedos de Aglianico, chegará a Maschito, um dos muitos centros onde a língua Arbëreshë ainda é falada por uma minoria etno-linguística presente em alguns centros do sul da Itália, desde o século XV. A poucos quilómetros de distância fica Venosa, uma antiga cidade romana rica em história. Pare no seu parque arqueológico e também na Basílica da Santíssima Trindade e na Incompiuta.
Assim que se afasta de Maschito, depara-se com uma paisagem completamente diferente: o vale de Bradano. Entre imensas extensões de trigo, siga de Palazzo San Gervasio para sul, na província de Potenza. Ao longe, domina outra fortaleza: o Castelo de Monteserico, local da batalha de Montepeloso no início do ano 1000, um evento que ajudou a consolidar a presença normanda em Basilicata e em todo o sul.
Chegou à linha de chegada: a etapa final é em Poggiorsini, na fronteira com o território da Apúlia, no Lago de Serra del Corvo.