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Ideia de viagem

As Marcas das fortalezas: entre castelos e histórias

Uma viagem por colinas e aldeias à descoberta de arquiteturas defensivas e de histórias que atravessam os séculos

8 minutos

Há lugares onde a história ainda está escrita nas muralhas. Na região das Marcas, as fortalezas pontilham a paisagem: no topo das colinas, acima das aldeias, a guardar os vales. Cada uma tem uma personalidade diferente. Há uma ligada a uma história de amor que se tornou lenda, outra que surpreende pela sua forma invulgar, e uma terceira que, ao longo do tempo, mudou de função várias vezes, até se tornar algo completamente diferente. Algumas dominam a paisagem; outras só se revelam quando se entra nelas. Das colinas com vista para o mar às zonas do interior, não é preciso visitá-las por ordem. Pode parar numa, depois noutra, ou deixar-se guiar pelo que mais o(a) intriga. Seja como for, são precisamente estas diferenças que tornam a viagem interessante: cada fortaleza oferece uma nova perspetiva e, em conjunto, contam a história de uma forma diferente de percorrer a região das Marcas.

Fortaleza de Gradara: entre a história e a lenda

A poucos passos do mar, na aldeia de Gradara, espera por si uma das fortalezas medievais mais bem preservadas de Itália. A Fortaleza, com a sua dupla muralha e o passeio de ronda com quase 800 metros de comprimento, domina a paisagem entre as Marcas e a Romanha e, já de longe, dá a sensação de se entrar noutra época.

O núcleo original data do século XII e ainda é reconhecível na torre de menagem, construída no cume da colina para vigiar a costa. Era uma estrutura autossuficiente, dotada de cisterna e acessível apenas por escadas de madeira, que eram retiradas em caso de ataque. Ao longo dos séculos, sob o domínio das famílias MalatestaSforza e Della Rovere, a Fortaleza transformou-se de fortaleza militar em residência, mas manteve intacta a sua personalidade.

Entrem no pátio e observem os pormenores: as arcadas góticas mais robustas coexistem com formas mais leves do Renascimento, sinal das mudanças de poder. No interior, as divisões contam a história desta dupla alma, entre a defesa e a vida de corte, também recriada pelo grande restauro do século XX que deu à Fortaleza o seu aspeto atual.

E depois, há a lenda. Segundo a tradição, foi precisamente aqui que se desenrolou a história de Paolo e Francesca, imortalizada por Dante Alighieri. Hoje, uma sala da Fortaleza está dedicada a este episódio, recriando uma atmosfera suspensa entre a história e a lenda: parem por um momento, porque este é um daqueles lugares onde a história parece ganhar vida. Por fim, subam à passadiço de ronda: de um lado, as colinas; do outro, o mar Adriático. Se puderem, venham ao final da tarde, quando a luz ilumina os tijolos e torna tudo ainda mais sugestivo.  

Fortaleza de Sassocorvaro: a tartaruga de Montefeltro

Na aldeia de Sassocorvaro, no coração do Montefeltro, não encontrará torres angulosas nem silhuetas severas: a Fortaleza surpreendê-lo-á imediatamente com as suas linhas suaves, quase inesperadas, que a tornam diferente de todas as outras. Não é por acaso que, vista de cima, se assemelha a uma tartaruga — e é precisamente nesta forma que se esconde um dos seus segredos.

Projetada no século XV por Francesco di Giorgio Martini, no âmbito da corte de Federico da Montefeltro, a Fortaleza Ubaldinesca foi concebida e encomendada por Ottaviano degli Ubaldini e é um exemplo de arquitetura militar de transição: as suas linhas curvas foram pensadas para desviar os disparos das novas armas de fogo. Aqui, porém, a função defensiva entrelaça-se com uma dimensão mais enigmática.

Na verdade, Ottaviano degli Ubaldini era um homem culto e fascinado pela alquimia. A forma da fortaleza, inspirada na tartaruga, não é apenas uma solução de engenharia, mas também tem um significado simbólico: é uma referência à relação entre a terra e o céu, entre o microcosmos e o universo. Ao percorrer os corredores e os pátios, irá reparar em pormenores invulgares, desde as aberturas de luz às passagens curvas e aos símbolos esculpidos, como se o edifício escondesse um percurso a interpretar. Há também uma surpresa, menos visível do exterior. No grande salão superior, foi criado um teatro: um espaço acolhedor e inesperado, surgido quando a Fortaleza deixou de ter uma função militar. Não encontrarão as plateias dos teatros históricos das Marcas, mas sim uma galeria de madeira que percorre toda a sala, por baixo de uma abóbada com frescos com decorações neoclássicas sobre um fundo azul intenso. Ainda hoje acolhe espetáculos e eventos, devolvendo à Fortaleza uma função viva.

Há outra história, mais recente, que torna este lugar ainda mais especial. Durante a Segunda Guerra Mundial, a fortaleza tornou-se um refúgio seguro para milhares de obras de arte provenientes de toda a Itália. Aqui foram guardadas obras-primas de artistas como Giorgione, Rafael e Ticiano, salvas dos bombardeamentos: por isso, ainda hoje é conhecida como a «Arca da Arte».

Para apreciar verdadeiramente a sua forma, recomendamos que se afaste alguns passos da aldeia ou procure um ponto panorâmico: ao longe, conseguirá ver claramente o seu traçado surpreendente. Depois, quando estiverem lá dentro, observem os pormenores: é aí que esta fortaleza revela verdadeiramente a sua personalidade.

Fortaleza de Mondavio: a fortaleza que nunca foi posta à prova

Em Mondavio, nas colinas entre Pesaro e Urbino, a Fortaleza é imediatamente reconhecível pelo seu aspeto compacto e ordenado. Não impressiona pela sua dimensão, mas sim pelo equilíbrio das suas formas, estudadas com grande precisão.

Foi projetada no final do século XV por Francesco di Giorgio Martini para Giovanni Della Rovere, numa altura em que as técnicas militares estavam a mudar e as armas de fogo exigiam novas soluções defensivas. Aqui, cada elemento faz sentido: as muralhas inclinadas para desviar os disparos, a torre de menagem dominante, os percursos internos concebidos para controlar todos os acessos. Tudo foi concebido para defender, mas também para resistir ao longo do tempo.

No entanto, há um pormenor que a diferencia das outras: nunca foi atacada de forma significativa. Nunca disparou nem recebeu um tiro de bombarda. Manteve-se tal como está, sem ter de demonstrar a sua força, quase suspensa entre o projeto e a realidade. Ao entrar, observem com calma os espaços: passagens estreitas, seteiras, diferentes níveis. No fosso, também encontrarão as máquinas de guerra reconstruídas a partir dos desenhos de Martini e poderão perceber, de forma concreta, como esta fortaleza foi concebida para funcionar. Ao observá-la de cima, também repararão numa particularidade: uma parte da estrutura lembra a forma de uma balestra.

Atualmente, a Fortaleza alberga um museu e, no verão, realizam-se reconstituições históricas que dão vida a estas muralhas. À sua volta, a aldeia mantém um ritmo tranquilo, caracterizado por ruelas e vistas para as colinas, em equilíbrio com a fortaleza que a domina.

Fortaleza Roveresca de Senigallia: um livro de pedra

Rodeada pelo fosso e marcada por torres imponentes, a Fortaleza Roveresca de Senigallia apresenta-se com uma presença nítida e compacta, capaz de chamar a atenção já de longe. É uma fortaleza imponente que conta muito mais histórias à medida que nos aproximamos dela.

Antes de entrar, pare um momento, por exemplo junto ao fosso: daqui, é possível perceber claramente a traça da fortaleza, concebida para defender, mas também para afirmar o poder da família Della Rovere. Depois, entrem pela entrada e deixem-se guiar pelo espaço. Ao entrar, aperceber-se-á de que não está a visitar apenas um edifício, mas várias épocas sobrepostas. Ao longo do tempo, a Fortaleza incorporou estruturas anteriores, desde a torre mais antiga até à fase dos Malatesta, até se tornar, com a família Della Rovere, a fortaleza que vemos hoje. É um lugar que se revela pouco a pouco, como se cada passo acrescentasse um fragmento à história.

Também as suas funções foram mudando ao longo do tempo. De residência a fortaleza militar, passando por prisãoorfanato e armazém: durante a visita, ainda se podem ver vestígios destas diferentes funções nos pormenores, nas transformações dos espaços e nas marcas deixadas nas paredes, como os grafitis gravados pelos prisioneiros: pequenos vestígios que tornam esta história ainda mais concreta.

Hoje, a Fortaleza acolhe exposições e eventos, mas mantém a sua identidade intacta. Após a visita, reservem algum tempo para passear por Senigallia: entre as suas vistas e os seus espaços abertos, a cidade continua a revelar vestígios desta história.

Fortaleza de Offagna: a sentinela do território

Na aldeia de Offagna, no interior da região de Ancona, a fortaleza medieval impõe-se com o seu perfil inconfundível, erguida num esporão rochoso e visível ao longe. É uma presença que atrai o olhar, mas também um ponto de onde se pode observar.

Construída em apenas dois anos, em meados do século XV, pela República de Ancona, a fortaleza foi concebida como um baluarte defensivo contra a vizinha Osimo. A sua estrutura, compacta e rigorosa, com a torre de menagem dominante e as numerosas posições para as bombardas, testemunha uma época de mudança, em que a arquitetura militar também começava a adaptar-se às novas armas.

Entrem e dediquem algum tempo a explorar as divisões: desçam às masmorras da torre, observem os espaços mais essenciais e, depois, subam lentamente. É um percurso que vos leva a mudar de ponto de vista, passo a passo. Ao subir em direção à passadiço de ronda e ao topo da torre de menagem, o espaço abre-se subitamente. Daqui, a panorâmica é ampla e ininterrupta: as colinas das Marcas, os centros históricos circundantes e, nos dias mais claros, a linha do mar até ao Conero.

Atualmente, a Fortaleza alberga um museu dedicado a armas antigas, mas mantém intacto o seu poder evocativo. À sua volta, a aldeia mantém uma atmosfera acolhedora, que ganha vida no verão durante as reconstituições medievais, altura em que a Fortaleza volta naturalmente a ser o centro das atenções.

Forte Malatesta de Ascoli Piceno: uma fortaleza em transformação

Entre a ribeira Castellano e a ponte de Cecco, o Forte Malatesta de Ascoli Piceno apresenta-se como uma estrutura compacta e articulada, mas é ao entrar que se descobre o quanto este lugar mudou ao longo do tempo.

O aspeto atual deve-se ao projeto de Antonio da Sangallo, o Jovem, que, no século XVI, redesenhou a estrutura com uma planta articulada, adaptada às novas necessidades de defesa. No entanto, por baixo desta forma escondem-se vestígios muito mais antigos: aqui existiram edifícios romanos, depois uma fortaleza medieval e, ao longo do tempo, uma sequência contínua de transformações.

Ao entrar, aperceber-se-á de que os espaços nunca são o que se espera. No centro do forte, ainda se encontra a igreja de Santa Maria del Lago, construída no século XVI e posteriormente integrada na estrutura: dividida em vários níveis, transformada em armazém e até em cela durante a sua utilização como prisão, conta, melhor do que qualquer outra coisa, a história deste lugar. E é precisamente a prisão uma das suas memórias mais marcantes. Utilizada até ao século XX, deixou para trás espaços, percursos e sugestões que tornam a visita concreta e surpreendente, numa transição contínua entre diferentes funções.

Atualmente, o Forte acolhe o Museu da Alta Idade Média, com achados longobardos da região de Ascoli, mas mantém intacta a sua imponência. Ao passear pelos pátios, passagens e divisões, aperceber-se-á de que aqui nada permaneceu igual.

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