Nem todos os caminhos se percorrem da mesma forma. Alguns aprendem-se pelo caminho. O Caminho dos Capuchinhos é um deles: atravessa as Marcas de norte a sul, mas não exige que se corra de uma etapa para a outra. Em vez disso, convida a mudar de ritmo. Ao percorrer colinas, florestas e montanhas, passará por conventos, abadias e eremitérios que não interrompem o percurso, mas o acompanham. É um caminho longo, claro, mas não é preciso percorrê-lo de uma só vez: pode iniciá-lo aos poucos, escolher um troço, fazer uma pausa e retomar mais tarde. E se o Caminho vos parecer demasiado exigente, os Anéis dos Capuchinhos são um bom ponto de partida. Estes percursos em circuito, que podem ser realizados num dia, permitem-lhe descobrir a mesma paisagem sem ter de planear uma viagem mais longa. Quer decidam fazer várias etapas ou apenas um circuito, o importante aqui não é chegar. O que importa é o que acontece enquanto caminham.
Um caminho pelas Marcas: 400 quilómetros de norte a sul
O Caminho dos Capuchinhos é um percurso com cerca de 400 km que atravessa o interior das Marcas de norte a sul. Parte de Fossombrone e chega a Ascoli Piceno, seguindo uma linha interior composta por colinas, desfiladeiros, vales e troços montanhosos. Não é um itinerário linear no sentido mais simples da palavra. Desenvolve-se em etapas que pode modular: algumas são mais longas, outras mais curtas, com a possibilidade de as adaptar ao seu ritmo.
No início, percorre o vale do vale do Metauro e atravessa a Garganta do Furlo, onde a paisagem se estreita entre as paredes rochosas. Depois, o percurso prossegue em direção a Cagli e à zona do Monte Catria, até à Abadia de Fonte Avellana, um dos locais mais importantes do Caminho. Mais adiante, passam por localidades como Fabriano, Camerino e San Severino Marche, alternando entre zonas habitadas e troços mais tranquilos, até chegarem às paisagens mais amplas dos Montes Sibillini. Nas etapas finais, descerão em direção ao sul da região, passando por aldeias como Offida, até chegarem a Ascoli Piceno.
Não é necessário fazer todas as etapas por ordem. Pode escolher alguns troços e ir construindo o seu percurso aos poucos: o Caminho também funciona assim.
Entre aldeias, abadias e eremitérios: o que vai encontrar ao longo do percurso
Ao longo do caminho, vai passando constantemente de um ambiente para outro. Há aldeias como Cagli ou Camerino, onde podem entrar, atravessar uma praça, fazer uma pausa e depois seguir caminho sem alterar o ritmo. Depois, há lugares mais recatados, como abadias e eremitérios, onde o passo abranda quase por si só.
Por exemplo, nas encostas arborizadas do Monte Catria, entre Serra Sant'Abbondio e Frontone, surge entre as árvores o Mosteiro de Fonte Avellana, com as suas linhas essenciais em pedra clara. É um lugar ainda habitado, com uma longa tradição monástica: podem entrar, ficar no claustro ou simplesmente parar alguns minutos em silêncio antes de retomarem o caminho.
Pouco mais adiante, na zona de Camerino, o Convento de Renacavata assinala um dos pontos mais significativos do percurso. Foi aqui que, no século XVI, a experiência dos primeiros capuchinhos ganhou forma. Hoje, o complexo mantém uma atmosfera simples, quase recatada, que convida a uma paragem breve, mas atenta.
Em alguns troços, caminham através da floresta; noutros, ao longo de cumes abertos: é esta alternância que torna o percurso variado e nunca repetitivo. Não é necessário planear todas as paragens. Se um lugar vos despertar a curiosidade, parem. Mesmo que sejam apenas alguns minutos, são suficientes para dar mais um significado ao dia. E, se por acaso chegar ao entardecer, é a melhor altura: há menos movimento, mais silêncio e o caminho assume outra dimensão.
Os Anéis dos Capuchinhos: uma forma diferente de iniciar o Caminho
Nem sempre se tem tempo ou vontade para fazer um caminho de vários dias. E é aqui que entram em cena os Anéis dos Capuchinhos.
Trata-se de 31 percursos circulares, distribuídos por toda a região, concebidos para serem realizados num dia e desenvolvidos em torno das principais etapas. Não substituem o Caminho, mas permitem iniciá-lo sem ser necessário organizar deslocações complexas. Também são úteis se já estiver em viagem: pode utilizá-los como desvios para explorar com mais calma uma zona que o tenha impressionado.
Se gosta de se deslocar por colinas e vinhas, o circuito de Fossombrone é um bom ponto de partida: atravessa uma paisagem aberta, com vistas para o vale do Metauro e para a Gola del Furlo, e é também adequado para quem quer começar sem troços demasiado exigentes.
Por outro lado, se procura uma experiência mais ligada a um centro histórico, o circuito de San Severino Marche permite-lhe alternar o percurso entre ruas, praças e trilhos logo fora das muralhas, até ao Convento dos Capuchinhos: uma solução equilibrada entre natureza e património.
Mais a sul, o circuito de Offida oferece um ritmo diferente: parte da aldeia e atravessa campos e vinhas, com vistas que, em dias limpos, se estendem até aos Montes Sibilinos. É um dos percursos mais indicados se quiser combinar paisagens, tradição e uma paragem agradável ao longo do caminho.
Seja qual for o circuito que escolher, parte e regressa ao mesmo ponto, com a liberdade de gerir os tempos e as paragens. Muitas vezes, é aqui que se começa, e não é raro querer continuar.
Como começar: ritmo, calçado e mochila
Não existe uma única maneira certa de fazer o Caminho dos Capuchinhos. Pode começar por um circuito, escolher algumas etapas ou criar um percurso mais longo. O que importa é encontrar o ritmo que vos convém. Não é preciso acelerar: após os primeiros quilómetros, o ritmo ajusta-se por si só e torna-se mais fácil perceber quando parar e quando retomar a marcha.
Se puderem, deixem espaço para o inesperado. Um troço que não tinha considerado, uma paragem mais longa do que o previsto, um encontro. O equipamento também pode ser essencial. Escolham calçado já usado, daqueles que conhecem bem, levem uma mochila leve e vistam-se por camadas, para se poderem adaptar às mudanças de temperatura.
Ao longo do percurso, irão encontrar vários locais onde podem parar, incluindo conventos e alojamentos para peregrinos: paragens simples, muitas vezes ligadas às pessoas que vivem e cuidam destes lugares. É melhor organizarem-se com alguma antecedência, especialmente nas etapas mais frequentadas, para chegarem sem pressa. O resto é feito pelo caminho. Ao fim de algum tempo, apercebem-se de que tudo se vai acomodando por si só: o ritmo, as pausas e até a forma como se caminham.