Verão nas cidades das artes: 5 dicas para uma visita sustentável
4 minutos
A Itália é pontilhada por cidades e aldeias das artes que atraem pelo menos um quarto do fluxo turístico nacional a cada ano e que fazem do nosso país um dos destinos favoritos para viajantes de todo o mundo.
Um património incalculável de monumentos, história, cultura, gastronomia e tradições, muitas vezes imersos em paisagens de extraordinária beleza, que mais uma vez este verão se preparam para receber centenas de milhares de visitantes.
O abc do turismo ético nas cidades das artes
O reverso da medalha é o chamado sobreturismo: a pressão turística excessiva que distorce a alma e a aparência de muitas das cidades das artes e afasta as comunidades locais dos seus centros históricos.
Por seu lado, as autoridades estão a equipar-se para gerir os fluxos de visitantes de uma forma eficaz e sustentável. Siena, por exemplo, foi a primeira das cidades das artes italianas a iniciar a certificação de acordo com os critérios do Global sustainable tourism council, o organismo internacional que promove a sustentabilidade e a responsabilidade social do sistema turístico, um processo que lhe permitirá fazer parte de uma rede de destinos turísticos de excelência.
Enquanto esperamos que os outros nos apanhem, devemos todos comprometer-nos a adotar estilos de viagem que preservem as cidades dos riscos do turismo descartável.
Como? Escolhendo visitas e excursões com base no consumo crítico e sustentável.
O turismo ecossustentável, de facto, não significa apenas itinerários na natureza, cicloturismo ou, de uma forma mais geral, respeito pelo ambiente, mas também, para os que ficam hospedados numa cidade, promover a economia local, prestando mais atenção aos habitantes, à cultura, às tradições e às realidades locais.
Queremos continuar a desfrutar dos mais belos destinos italianos? Então comecemos por nós, tentando planear e viver as férias com algum cuidado extra.
A viagem: atenção ao calendário e aos meios de transporte
A primeira recomendação é, sempre que possível, visitar estes destinos na época baixa ou média, evitando a superlotação em locais públicos, eventos e museus.
Para os que tiverem essa disponibilidade, é uma escolha com vantagens, pois as temperaturas são mais amenas e as viagens e as taxas de alojamento ficam mais em conta. Em qualquer caso, poder visitar o Coliseu, a Praça de San Marco ou a Galeria Uffizi com facilidade e agilidade, sem estar amontoado numa multidão, não tem preço.
Opte, tanto quanto possível, por meios de transporte pouco poluentes: escolha o comboio, se a alternativa for viável, ou opte por companhias aéreas "mais verdes", escolhendo, por exemplo, voos com menores emissões de CO2.
circule utilizando meios de transporte públicos, bicicletas ou trotinetas, mesmo elétricas: quase todas as cidades italianas oferecem agora transportes partilhados, pratique o trekking urbano e combine sustentabilidade com benefícios para a saúde: explore bairros e aldeias a pé, ao seu próprio ritmo, talvez fora dos circuitos mais populares, pois esta é a melhor maneira de fazer descobertas surpreendentes.
Noites verdes, entre B&B e Albergo Diffuso
Para as suas estadias, escolha alojamentos que respeitem o ambiente e a cultura local. Procure, caso tenha essa possibilidade, por hotéis com uma sólida tradição ou um impacto arquitetónico, energético e ambiental equilibrado, ou B&B e arrendamentos geridos por habitantes locais.
Opte, sempre que possível, por experiências benéficas relacionadas com o conceito de hospitalidade albergo diffuso. Este diz respeito a estruturas com uma organização unitária, mas que se desenvolvem em diferentes unidades habitacionais, espalhadas por um bairro ou aldeia. Devido ao seu impacto reduzido, colaboram na requalificação e valorização do património histórico e habitacional existente.
Tal como em sua casa
Minimize também o seu impacto pessoal, para que aqueles que vierem depois de si possam desfrutar da mesma beleza. Evite deixar vestígios ou restos da sua passagem: escritos nas paredes das catacumbas de Nápoles, entalhes nas rochas de Matera ou cadeados nas pontes romanas. Não confunda edifícios históricos e cemitérios com áreas de piquenique.
Praticar turismo responsável também significa deixar os lugares que visita tal como os encontrou.
Tal como em casa, preste atenção às pequenas coisas: não desperdice energia e água, recicle, leve garrafas de água e sacos de compras de pano reutilizáveis, para evitar a disseminação de embalagens de plástico poluente de uso único.
E se realmente quiser adotar um estilo sem plástico, ao comprar comida para levar, use talheres de viagem e coloque detergentes em garrafas recarregáveis – a natureza e a sua carteira agradecem.
Banir preconceitos
Tenha curiosidade, mantenha um espírito aberto e não deixe espaço para preconceitos: interesse-se pelas pessoas à sua volta, pelas suas condições e necessidades, aprenda sobre a história e o folclore e respeite as tradições locais.
Não pode dizer que viajou se não conversou com um habitante local. Essa é a chave para capturar a essência, aquilo a que os latinos chamavam genius loci. As interações humanas podem enriquecer exponencialmente a experiência de viagem, aprofundar perceções e conhecimentos e criar memórias inesquecíveis.
Como um local
Mesmo à mesa, apoie os negócios locais. Valorize os restaurantes e trattorias típicos, produtos de km zero e orgânicos: descobrir a excelência da enogastronomia do local onde se encontra é um dos aspetos mais gratificantes de uma viagem.
Se for às compras, opte pelo artesanato local, pois essa é outra forma de apoiar a comunidade local.
Se quer uma experiência autêntica da região, participe em romarias, festividades nas aldeias, em festivais e eventos culturais organizados pelas autarquias locais, onde a diversão é garantida.
Finalmente, um último e precioso conselho: partilhe as boas práticas da sua viagem com os outros, pois partilhar é a alma da sustentabilidade. Faça-o de boca em boca, através das redes sociais, comentários ou recomendações. Dessa forma, ajudará a valorizar a alma autêntica das cidades das artes italianas e a difundir os princípios do turismo ético.