Eis que, lá em cima, desponta a sua torre. "Milenar", é como as pessoas aqui lhe chamam, mais para sublinhar a sua importância do que para lhe dar uma idade precisa. Aqui tudo parece pertencer a um mundo próprio, a começar pela sua posição recolhida e protegida do mar aberto por uma série de ilhas e ilhotas, como as de Martignano e Sant'Andrea, também conhecida como a Ilha das conchas. Até ao final do século XIX, aqui tudo era cercado por muros: nem mesmo os turcos, no século XVI, conseguiram romper e a República de Veneza tentou de todas as formas mantê-la firme, deixando uma forte marca arquitetónica. De facto, o centro histórico é todo ele uma sucessão de ruelas e praças, para onde as casas se voltam, resultando em espaços comuns de encontro e trabalho ao ar livre. Aqui, na lagoa, abre-se a Reserva Natural Regional Foci dello Stella, que não é alcançada por terra. Chega-se lá de barco e entra-se num microcosmos excecional, um verdadeiro paraíso para a observação de aves. De um dos ramos mais evocativos do delta, entra-se na foz extrema e diante dos olhos abre-se um espetáculo de rara beleza: uma aldeia de casas feitas de canas e madeira, todas voltadas para oeste, a encosta mais protegida dos ventos de Bora e Tramontana. Todos os anos, no domingo posterior a 15 de junho, é imperdível a festa de São Vito com a antiga procissão no mar.
33050 Marano Lagunare UD, Italia