As obras de Caravaggio em Roma
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Igreja de São Luís dos Franceses
O nosso passeio começa na Igreja de São Luís dos Franceses, a uma curta distância da Praça Navona. Na capela ao fundo da nave esquerda, encontramos três obras de Caravaggio, que juntas constituem o Ciclo de São Mateus. As pinturas resumem a vida do apóstolo em três episódios: a Vocação, São Mateus e o Anjo, o Martírio de São Mateus. A cena da Vocação introduz-nos na penumbra de uma sala povoada por cobradores de impostos empenhados em contar o dinheiro, rasgada por uma luz divina, Jesus Cristo, à direita, acaba de levantar o braço para indicar o futuro santo e chamá-lo para se juntar ao grupo dos apóstolos. A pintura São Mateus e o Anjo distingue-se pela relação direta e intensa entre o evangelista e o mensageiro de Deus que desceu para inspirá-lo na escrita do Evangelho. A representação do Martírio na última pintura do ciclo é violenta e dramática.
Basílica de Santo Agostinho
Pouco mais de 200 metros separam São Luís dos Franceses da Basílica de Santo Agostinho, onde paramos para admirar a Nossa Senhora dos Peregrinos ou de Loreto, uma obra que fez os contemporâneos de Caravaggio gritarem escandalizados: Maria demasiado humilde e resignada, apoiada com descontração no batente de uma porta, com as pernas cruzadas, demasiado realistas os dois pobres peregrinos que oferecem os seus pés descalços e sujos em primeiro plano.
Basílica de Santa Maria del Popolo
Na Praça de Santa Maria del Popolo, na basílica com o mesmo nome, podem ser admiradas duas outras grandes obras-primas do artista: a Conversão de São Paulo e a Crucificação de São Pedro. Nesta última obra, os homens representados enquanto puxam a cruz parecem mais trabalhadores ocupados do que carrascos. Mais uma vez, o realismo domina a cena e devolve um efeito dramático comovente.
Galeria Doria Pamphilj
Caravaggio escolhia frequentemente as suas modelos entre as prostitutas que frequentava. Como Anna Bianchini, que posou para a Madalena Penitente: o rosto voltado para baixo, riscado por uma lágrima, algumas joias lançadas no chão à sua direita para indicar a renúncia à vaidade terrena. Para admirar esta pintura, visitamos a Galeria Doria Pamphilj, que alberga duas outras obras de Caravaggio: o Descanso durante a fuga para o Egito e o São João Batista, retratado como um jovem nu a abraçar um carneiro. Uma cópia idêntica da obra é mantida nos Museus Capitolinos, que também exibem A Boa Ventura, muito famosa e copiada por vários caravagistas.
Galeria Borghese
Mas a rainha do nosso passeio é, sem dúvida, a Galeria Borghese, que possui a maior coleção de obras de Caravaggio preservadas num só lugar: Menino com cesto de frutas, Bacchino doente (possível autorretrato), Nossa Senhora com o Menino e Santa Ana, São Jerónimo a escrever, São João Batista e David com a cabeça de Golias, em que Caravaggio se retrata no gigante decapitado. O rosto de David, nesta pintura, parece expressar compaixão pela cabeça do inimigo morto.
Museus do Vaticano
Os Museus do Vaticano acolhem apenas uma obra, mas extremamente bela: a Deposição de Cristo. É uma das poucas pinturas de Caravaggio que obteve o consenso unânime dos seus contemporâneos, como Giovanni Baglione e Giovan Pietro Bellori. De todas as suas pinturas, esta é certamente a mais monumental.
Palácio Barberini
Mais controversas foram as reações a Judite e Holofernes, guardada no Palácio Barberini: a crueza da cena causou horror em muitas pessoas na época. A obra influenciou vários artistas, como Artemisia Gentileschi e Francisco de Goya. Também no Palácio Barberini se encontra o famoso Narciso a contemplar a sua própria imagem num espelho de água.
Palácio Corsini
Outro São João Batista do autor (terá feito nove se considerarmos as duas versões idênticas da Galeria Doria Pamphilj e dos Museus Capitolinos) encontra-se no Palácio Corsini. A iconografia do tema é tão invulgar que o jovem só é identificável como o Batista graças à inclusão de alguns símbolos distintivos, como o bastão e a pele de camelo.