Lácio, sua majestade "er cimarolo": a alcachofra romana IGP
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Típica da costa do Lácio e das áreas de Roma, Viterbo e Latina, a alcachofra romana foi o primeiro vegetal em Itália a ser protegido a nível comunitário com a marca IGP.
Tem uma longa tradição e propriedades terapêuticas reconhecidas.
De dezembro a maio, é a protagonista indiscutível dos mercados regionais e presta-se a inúmeras receitas. Vamos descobri-lo juntos.
A longa história da alcachofra romana e as suas propriedades terapêuticas
Pérola do território do Lácio, a variedade da alcachofra romana tem uma origem muito antiga. Conhecida já na época dos egípcios, a planta era difundida na área mediterrânica e também utilizada no campo terapêutico pelos gregos. Alguns botânicos acreditam, no entanto, que o cultivo deste vegetal é mérito dos etruscos, como testemunham as representações de folhas de alcachofra nos túmulos da necrópole de Tarquinia.
Independentemente da sua história, a alcachofra, também chamada "cimarolo" ou "mammola", é a rainha da horta.
Além de ser utilizada para o tratamento de doenças hepáticas, reconhecida desde os tempos antigos, as suas propriedades farmacológicas também foram confirmadas por estudos científicos recentes: regula o apetite, estimula a diurese, ajuda a controlar o excesso de peso e a celulite, é útil para quem tem problemas de colesterol, diabetes, hipertensão, combate as pedras, é rica em fibras, desintoxicante e antioxidante. Em suma, as alcachofras nunca devem faltar nas nossas mesas.
Além disso, a todas estas qualidades, acrescentam também um sabor inconfundível, que faz deste vegetal o protagonista de uma variedade quase infinita de receitas.
A alcachofra romana entre características e pratos típicos
Existem duas propriedades principais que distinguem a alcachofra romana: a suavidade e o amargor. A primeira reside no "coração" e nas folhas internas, muito mais tenras do que as outras variedades, a segunda é uma nota que se suaviza durante a cozedura.
Não menos importante é a versatilidade deste vegetal, que permite que seja utilizado numa multiplicidade de pratos.
A tradição quer que seja "à romana", ou seja, cozinhada em lume brando em óleo abundante, temperada com alho, salsa, hortelã romana e pimenta.
Outra versão muito difundida e apreciada é a da alcachofra "à giudìa", que é cortada em espiral, a fim de a libertar da parte mais dura, e frita duas vezes, com o talo virado para cima, mais uma vez em óleo quente abundante.
Depois, no jantar da véspera de Natal, é onipresente nas mesas dos comensais romanos, na variante pastelada e frita.
Atenção ao acompanhamento da bebida. A alcachofra é inimiga do vinho, porque contém uma molécula chamada cinarina, que desativa os recetores de doce nas nossas papilas gustativas. Para a cozedura "à romana", recomendamos, portanto, um copo de tinto sem excesso de taninos. Os melhores são os obtidos das castas Primitivo e Cesanese. Nas alcachofras "alla giudìa", por outro lado, as bebidas espumantes são ideais.
Os festivais do Lácio
São muitos os eventos que homenageiam a alcachofra, rainha da horta.
Entre os mais conhecidos, destacamos a Sagra di Ladispoli, uma localidade perto de Roma, que se realiza todos os anos em abril, mas também as festas de primavera de Sezze, em Latina, de Campagnano e, por fim, a Carciofolata Veliterna de Velletri, dedicada especificamente às "carciofi alla matticella", uma receita da tradição camponesa transmitida ao longo dos séculos, que consiste em cozinhar as "cabeças" das alcachofras dentro das brasas obtidas da madeira dos ramos secos da videira, uma iguaria!
Os festivais são todos celebrados durante o período de colheita máxima. Têm histórias e tradições diferentes, mas estão unidas pelo desejo de valorizar e difundir o consumo da alcachofra romana.