As obras-primas das aldeias mais bonitas de Itália
4 minutos
Índice
Muitos pequenos museus, igrejas, palácios das aldeias preservam tesouros que poucos conhecem, porque para vê-los é preciso ir ao local, muitas vezes remoto ou mal ligado. Diz-se que a Itália é um museu generalizado, e é verdade. Na verdade, mesmo os pequenos centros preservam obras-primas absolutas dos maiores artistas. Nas aldeias mais bonitas de Itália, há obras de Giotto, Simone Martini, Antonello da Messina, Mantegna, Rafael, Perugino, Pinturicchio, Parmigianino, Paolo Veronese, Canova... Entre as muitas obras que nos esperam nas aldeias, destacamos cinco entre a Lombardia e a Sicília.
Lovere (Bréscia) – Tommaso Pombioli, Guitarrista, 1636, Academia Tadini.
Começamos com uma pintura que, ao contrário das outras quatro obras, não é exatamente uma obra-prima, mas gostamos muito dela. Estamos em Lovere, no Lago Iseo, na província de Bréscia. Aqui está localizado um dos museus mais importantes do norte de Itália, a Academia Tadini, que tem origem no Instituto de Belas Artes fundado pelo Conde Luigi Tadini em 1829. As coleções do museu vão desde a porcelana até pinturas de diferentes períodos históricos, com particular atenção à pintura lombarda e veneziana entre os séculos XVII e XIX. Grandes nomes como Canova, Bellini, Paris Bordon, Pitocchetto. Mas também nos intrigou o Guitar Player pintado por Tommaso Pombioli em 1636: um meio termo entre Jimmy Page dos Led Zeppelin e um dândi todo enfeitado. O protagonista da cena – que segura uma guitarra e tem um alaúde pousado sobre a mesa – é um pintor, Giacomo Barbelli, que se deleita com a música, e fá-lo com um ar sonhador. Morreu por um tiro de arcabuz durante uma caçada.
Citerna (Perúgia) – Donatello, Nossa Senhora com o Menino, 1415-1420, igreja de São Francisco.
Vamos agora a Citerna, uma pequena aldeia da Úmbria com vista para o vale do Tibre, na fronteira com a Toscana. Aqui, na igreja de São Francisco, encontra-se a esplêndida escultura da Virgem com o Menino, atribuída, com quase absoluta certeza, ao jovem Donatello. A obra é datada entre 1415 e 1420. A Virgem é uma jovem: revela a graça das jovens florentinas que o estilo gótico internacional representava como pálidas, exangues, ricamente vestidas com ouro, prata e lacas. No outono da Idade Média, em Florença, esta imagem de conto de fadas da mulher, alimentada nas cortes da época, está prestes a dar lugar à revolução humanista. E a Virgem de Donatello já tem a ternura e a humanidade exigidas pelo novo clima cultural.
Irsina (Matera) – Andrea Mantegna, Sant'Eufemia, c. 1450, catedral.
Voltamos ao charme feminino com outra obra-prima. É assinada por um dos mestres do Renascimento, Andrea Mantegna, e é uma escultura feita com a pedra amarela de Vicenza, cujas cores vão do bege e marfim ao dourado claro. Chegada à remota Lucânia em 1454 graças a Roberto De Mabilia, que a comprou na oficina do grande artista de Pádua, a estátua de Santa Eufémia pode ser admirada na catedral de Irsina. É verdadeiramente maravilhosa: com 172 centímetros de altura, representa a mártir com uma mão na boca do leão, em memória do martírio sofrido, enquanto a outra segura uma montanha de três picos com um castelo que simboliza Irsina. O olhar é orgulhoso, expressivo, mais de uma nobre do que de uma santa, e as mãos afiladas, belíssimas, tão bem moldadas na pedra – como toda a figura, aliás – como só um gigante da arte sabe fazer. Cabe-nos a nós decifrar o que um olhar tão poderoso comunica.
Cefalù (Palermo) – Antonello da Messina, Retrato de um homem (ou Marinheiro desconhecido), 1460-1470, Museu Mandralisca
Encerramos o passeio voltando ao universo masculino, com outra obra extraordinária e com outro olhar. Muitos vêm a Cefalù, na Sicília, por três coisas: o mar, a catedral normanda e ele, o "marinheiro desconhecido" pintado entre 1460 e 1470 por Antonello da Messina e preservado no Museu Mandralisca. O pequeno painel, que se diz ter sido usado como porta de um móvel de farmácia, foi doado ao Barão Mandralisca de Cefalù e é por isso que está aqui. Há quem defenda que o marinheiro siciliano ou quem quer que seja (segundo o crítico Roberto Longhi, seria um notável do lugar) representa o equivalente masculino da Mona Lisa de Leonardo. Não só é enigmático, o olhar, mas também provocador, no limite do arrogante. Para Vittorio Sgarbi "é o emblema da Sicília, com a sua astúcia, esperteza, habilidade". Cerca de quinze riscos que foram restaurados provariam que alguém, talvez uma mulher, se sentiu ofendido com aquele olhar e reagiu danificando a efígie. Mistério: mas é certo que, depois de o ver, ninguém esquece o pequeno quadro de Antonello da Messina.
Sutri (Viterbo) – Efebo, século I d.C., Museu do Palácio Doebbing
Vejamos agora a beleza do lado masculino. Outra obra-prima que a província italiana nos oferece é, novamente no centro da Península, em Sutri, no Lácio, uma estátua de bronze do século I d.C. com 78 centímetros de altura. O Efebo de Sutri é um jovem nu e em posição ereta, com a mão direita apoiada na cabeça e o braço esquerdo dobrado como se estivesse a levar algo (agora em falta) à altura do rosto, provavelmente um espelho. Um rapaz narcisista, que se compraz consigo mesmo, em pose perene no museu do Palácio Doebbing. A pequena estátua, encontrada em Sutri por dois agricultores em 1912, tornou-se o símbolo da aldeia de Viterbo.