A última etapa da Via Francigena em direção a Roma começa com um longo troço ao longo do passeio da Via Cássia, uma estrada movimentada que requer atenção e paciência. É um segmento urbano, menos sugestivo do ponto de vista paisagístico, mas carregado de emoção pela consciência de que já se chegou às portas do destino.
Depois de passar o Grande Raccordo Anulare, a paisagem muda repentinamente: mergulha-se no verde do Parque da Insugherata, um oásis selvagem que se insinua como uma cunha natural na periferia romana. Aqui, o caminho atravessa florestas e clareiras, oferecendo um troço surpreendentemente silencioso e imerso na natureza, quase como se quisesse preparar interiormente o peregrino para a chegada final.
Depois, regressa-se ao contexto urbano ao longo da Via Trionfale, entre o trânsito e os bairros residenciais, antes de entrar no verde do Monte Mario. A subida é o último pequeno esforço do dia, mas é também um dos momentos mais intensos de todo o percurso.
Do miradouro de “Mons Gaudii” – o Monte da Alegria – o olhar abre-se finalmente para a cidade eterna: a cúpula de São Pedro aparece no horizonte, inconfundível. É uma vista carregada de significado, capaz de fazer esquecer o trânsito e o cansaço e de encher o coração de gratidão e satisfação.
A partir daqui começa a descida para a Praça de São Pedro, destino simbólico da peregrinação. Atravessar a praça e parar em frente à Basílica representa a conclusão da viagem, um momento de recolhimento e alegria que coroa dias de caminhada ao longo de um dos itinerários mais antigos e fascinantes da Europa.
Uma etapa de fortes contrastes, entre o trânsito urbano e os oásis naturais, que culmina numa chegada emocionante e profundamente simbólica ao coração do cristianismo.