O percurso começa em São Liberato, um lugar profundamente ligado à tradição franciscana. São Liberato era um nobre de Loro Piceno que se tornou frade durante a quarta viagem de São Francisco às Marcas, a de 1215, de onde nasceu este percurso. O imponente convento de São Liberato, destino de numerosos peregrinos, nasceu como um simples edículo sagrado dedicado a Santa Maria de Soffiano. A partir daqui, recomendamos um desvio de 1,7 km até um dos lugares mais agradáveis e sugestivos do franciscanismo da região das Marcas: a Ermida de Soffiano, cujas ruínas se erguem no interior de uma gruta natural na parede saliente do Monte Ragnolo. Segundo a tradição, São Francisco viveu aqui durante a sua viagem para Ascoli. Além da sua relevância espiritual, o convento é conhecido pela qualidade das águas públicas.
De São Liberato, continua-se a descer até à Abadia de São Salvador (ou Santa Maria in Insula), construída sobre as ruínas de um edifício romano, talvez uma villa ou um ponto de descanso ao longo do percurso para Roma. Durante os trabalhos de restauro, vieram à luz numerosos artefactos de origem romano-bárbara e de Ravena. Da anterior igreja românica resta a encantadora cripta, bem conservada e dividida em cinco naves laterais com abóbadas de aresta sustentadas por colunas e pilares decorados com motivos vegetais e animais estilizados. Hoje, a igreja está quase sempre fechada, mas o pórtico e a fonte de água fresca continuam a ser um agradável ponto de paragem para o peregrino.
Do cemitério de Monastero, o caminho desce em direção ao vale do rio Fiastrone. Chegando ao cruzamento para a Gruta dos Frades e as Gargantas do Fiastrone, pode-se escolher entre seguir o percurso principal, mais curto e recomendado em períodos de chuva ou cheia, ou a variante mais longa e exigente que leva às gargantas e que pode ser percorrida preferencialmente nos meses de verão e após verificação da sua praticabilidade.
Continuando por caminhos de terra e estradas brancas, chega-se ao Jardim das Borboletas. Ao longo do caminho, a paisagem é dominada pelo perfil das Montanhas Sibillini, cuja presença acompanha o peregrino durante grande parte da etapa. Este território pertence, de facto, à área protegida do Parque Nacional das Montanhas Sibillini, um dos ambientes naturais mais fascinantes dos Apeninos centrais.
O percurso termina deixando para trás o coração do parque, depois de atravessar um cenário de montanhas, bosques e testemunhos da história e da espiritualidade franciscana.